Card sharing… a nova febre

O poder de criatividade do ser humano é algo inexplicável… simplesmente fascinante. Digo isso pelas incontáveis invenções que nos rodeiam, que facilitam nossas vidas, mas uma delas merece destaque aqui no blog. É o card sharing (“compartilhamento de cartão”, em tradução literal), que a cada dia ganha mais adeptos em todo lugar do mundo.

A prática do card sharing tem o objetivo de fazer o que faziam os tão populares decodificadores digitais de TV por assinatura: burlar a proteção dos canais pagos, permitindo que se assista a esses canais sem pagar assinatura mensal. AZBox, AZAmerica, Dreambox e outros aparelhos similares fizeram esse papel durante vários anos, mas de alguns meses pra cá, todos deixaram de funcionar. A proteção que antes era facilmente burlada, agora ganhou reforço e os receptores não mais conseguem decodificar o sinal. Somente os aparelhos fornecidos pelas operadoras é que conseguem.

É aí que entra o card sharing. A prática consiste em assinar um pacote de canais bem completo, realizando o devido pagamento mensal à companhia de TV, e compartilhar este plano com várias outras pessoas via Internet. Assim, essa mensalidade é dividida entre essas pessoas, que podem ainda dar lucro ao compartilhador, dependendo de quantos estão usando e quanto está sendo cobrado pelo sujeito que está compartilhando o plano.

A idéia parece simples e ingênua, mas é um exemplo claro de pirataria. Um crime, pra ser exato.

Imaginem vocês, que uma única assinatura poderá servir para duas, dez ou centenas de pessoas… E o que é pior: a companhia de TV, através do seu sistema, não consegue identificar se a prática está ocorrendo. No entanto, sem muito esforço, é possível chegar ao compartilhador, visto que na Internet, assim como na vida real, cada pessoa possui um endereço rastreável.

Do ponto de vista técnico, o que ocorre nessa prática é a simples troca de informações entre receptores que estão conectados via rede: um deles possui a “senha” e a passa aos demais. De posse da senha, é possível acessar determinado conteúdo, no caso, as imagens dos canais protegidos. É necessário uma simples conexão à Internet, e o tráfego gerado pelo sistema, embora absolutamente baixo, é constante: basta uma queda de alguns segundos na rede para que a imagem já congele. Algo semelhante a assistir vídeos no Youtube(tm) quando se tem uma velocidade de conexão insuficiente.

Na prática, o sistema consiste em um aparelho conectado, ao mesmo tempo, à televisão, à antena e à Internet. Um exemplo magnífico de engenharia da computação e eletrônica, e motivo de minha admiração pela inteligência e criatividade que está embutida em cada um de nós. Basta apenas aproveitá-la.

Essa mesma inteligência e criatividade pode trazer consequências indesejáveis, mas independente de qualquer condenação ou julgamento do mérito da questão, bato palmas para os desenvolvedores dessa e de tantas outras invenções que a informática permitiu. Cada vez me convenço mais de que o céu é o limite.

Apesar de todo meu reconhecimento à tecnologia e às pessoas que a desenvolvem, devo esclarecer que a Veloturbo não compactua com a prática de card sharing ou de qualquer outro sistema que contrarie leis, ou que possa ferir os direitos autorais ou intelectuais de quem quer que seja. A Internet é uma rede pública e não compete a Veloturbo permitir ou negar qualquer prática que se desenvolva sobre a grande rede. No entanto, ela reafirma aqui que estará cumprindo todas as determinações que vierem a ser necessárias, de acordo com as exigências atuais e futuras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Ministério das Comunicações (Minicom).

Também gostaria de deixar claro que a Veloturbo não atende a chamados técnicos relacionados a travamentos ou congelamentos de imagem oriundos de sistemas ilegais como este que citei. Se você utiliza card sharing, esteja ciente de que está fazendo isso por sua conta e risco, e lembre-se de que, no momento em que assinou o contrato conosco, comprometeu-se a não fazer uso da Internet para fins ilícitos. Se você pretende utilizar, saiba de antemão que a Veloturbo não dá e nem dará qualquer tipo de assistência ou apoio a qualquer prática desta natureza.

Sendo o que tinha para o momento, despeço-me desejando a todos uma ótima semana.

Att.

Daniel Ghisleni
Administração Veloturbo